O Labirinto do Fauno e a receita perfeita do equilíbrio
- Larissa Palmieri
- Jun 20, 2010
- 2 min read
Podem me chamar de louca, atrasada, e podem me perguntar em que mundo eu vivia, mas eu não havia assistido O Labirinto do Fauno ainda. Pois é. Esse filme é de 2006 e eu só fui assistir 4 anos depois, e nesses horas é que a gente se arrepende de não ir mais ao cinema e não deixar a TV a cabo passando filmes em looping mais tempo. Mas fiquem tranquilos, pois fiz uma lista de filmes que de vou assistir e estou tirando o atraso. Ontem por exemplo vi Donnie Darko 😀
Eu sempre ouvi coisas lindas sobre esse filme e foi um dos primeiros da minha lista. E não é a a toa.

Guilherme del Toro tem um timing e uma sensibilidade inexplicável ao contar a história de Ofélia (Ivana Baquero), uma menina que vive entre os contos de fadas e a dura vida no meio de um regime fascista em 1944. Ela, que perdeu o pai, se vê presa a hostilidade de seu padrasto, um coronel muito cruel chamado Vidal (Sergi López), que se casou sua mãe e passa por uma gravidez de risco. Toda a família mora num reduto que está prestes a ser atacado por militantes de esquerda, e há uma conspiração dentro e fora da casa onde o pequeno exército fascista está instalado. Ao mesmo tempo, dentro de um labirinto próximo a sua nova casa, Ofélia conhece um Fauno (Doug Jones) que revela a sua real origem: uma princesa de um submundo que fugiu de seu reino para conhecer o mundo dos humanos. Para que o Fauno acredite que ela é a princesa, a garota tem que passar por uma série de provas para atestar sua bravura e poder retornar ao mundo subterrâneo.
O que me deixou fascinada nesse filme foi a beleza do mundo da fantasia equilibrada com a crueldade da realidade. Tudo tem uma ligação tão próxima que até as metáforas do mundo fantástico são sobre o mundo real. Tudo isso entretendo o espectador sem deixar nenhum buraco. Além disso as fortes críticas políticas sobre a época aparecem diante dos nossos olhos sem piedade alguma, inclusive é bem mais cruel do que você poderia esperar. Mas o final, meu amigo, é aberto a tantas interpretações que ninguém fica insatisfeito e cada um escolhe o que desejar, de forma tão linda e sutil que chega a marejar os olhos. Incrível.

Uma das coisas que estranhei a principio foi o fato do filme ser todo em espanhol, e eu não estava muito acostumada com isso no início, mas é totalmente fiel ao contexto e eu acho isso muito importante também. O filme ganhou três Oscars: maquiagem, fotografia e direção de arte. Claro que tem todos os méritos, as maquiagens são sansacionais mesmo e tudo, realidade e fantasia, tem um ar sombrio tão lindo, tão bem colocado que seria impossível negar o Oscar.
Então se você quer se emocionar, assista sem pensar duas vezes. Uma obra feita pra reflexão, pra sonhar e pra ver mais de uma vez.



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