O Livro do Cemitério de Neil Gaiman
- Larissa Palmieri
- Aug 5, 2010
- 3 min read
Hoje estou aqui pra falar de um dos meus autores favoritos e sua obra mais recente. Neil Gaiman, o inglês criador de diversas histórias cultuadas no mundo de contos fantásticos voltou as prateleiras brasileiras esse ano com o Livro do Cemitério. Em parceria mais uma vez com Dave McKean, que criou as ilustrações do livro, Gaiman apresenta ao público uma história cheia de bravura e sem medo do desconhecido.

Inspirado pela história original de Mogli, O Livro da Selva de Rudyard Kipling, e por seu próprio filho, Gaiman começou a conceber a idéia 20 anos atrás sobre Ninguém Owens. Ele sempre teve o hábito de passear entre os assuntos de ordem sobrenatural, e em O Livro do Cemitério não é diferente.
A narrativa começa pesada: A família de Nin é assassinada por um misterioso homem chamado Jack. O garoto, que é um bebê ainda, é hiperativo e esperto, e por uma conhecidência consegue escapar das mão do assassino, evitando um trágico final a sua vida. Ele escapa de sua casa e acaba parando em um cemitéiro abandonado da cidadezinha, e lá é acolhido por uma família de fantasmas. Claro que isso não corre de uma meneira simples, mas é decidido por forças maiores. A partir deste ponto vemos toda a vida de Nin dentro o cemitério até a adolescência, como é a experiência de ser criado por pessoas que viveram em outras épocas, como é lidar com criaturas fantásticas e o que ele deve fazer quando finalmente tentar viver no mundo a que pertence: o mundo das pessoas vivas, que é pior que o mundo dos mortos para ele.
Apesar de aparentemente estar tudo bem, o homem que matou a sua família continua a espreita aguardando notrícias e uma chance de iniciar o que começou, e Nin tem que encarar o medo real pela primeira vez.
Neil Gaiman acerta em quase tudo criando uma história leve, mesmo sendo em um ambiente sombrio e que provavelmente deixaria qualquer humano com os cabelos brancos. O mais legal é como o psicológico do garoto é realmente atípico por estar em condições “selvagens” e como a percepção das coisas que não conhecemos pra ele é muito mais simples. Um outro fato de que me lembrei é o como o aspecto alegre dos mortos me lembrou Tim Burton: é extremamente divertido e longe do que todos nós pensamos ser caso existisse.
A única coisa que me irritou mesmo foi o desfecho: é tão óbvio que é aquilo que vai acontecer. Fica evidente. Talvez seja a minha implicância recente com a preguiça de Neil Gaiman não mudar de assunto na hora de escrever. Mas acho que pra maioria das pessoas deve ser muito legal, mas quem conhece o estilo dele sabe qual vai ser o desfecho. Acho que é cisma pessoal não achar esse livro tão genial assim, afinal The Graveyard Book foi um dos livros mais premiados na carreira do Gaiman e não li nenhuma crítica pesada sobre.

Mas devo dizer que as ilustrações do Dave McKean são maravilhosas e conversam com o momento da história e o texto. Um trabalho de sombra e luz tão bonito e traços cheios de personalidade. Tava com saudade de ver ilustrações assim do McKean, que sempre trabalhou muito bem com manipulação de imagem.
Então, se você está na dúvida, leia. É sim uma aventura gostosa de ler, apesar de eu achar que existem momentos previsíveis. Mas o universo é rico, e o perfil psicológico do protagonista é deveras interessante.



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